Redondo, porque não tem ponta por onde se lhe pegar!
As notícias que, desde há uma semana, têm vindo publicadas, nos meios de comunicação, deixam-nos amargurados.
Do “Expresso” de 20Maio2006:
Pensionistas podem ficar sem o 14º mês
O Secretário de Estado do Orçamento, Emanuel dos Santos, alertou ontem em Coimbra para a possibilidade de os pensionistas deixarem de receber o subsídio de férias para ajudar a equilibrar o Orçamento do Estado. Uma decisão que “não será fácil” mas poderá ser inevitável, disse.
Do “Público” de 22Maio2006:
Marques Mendes desafia governo a fazer rescisões na função pública.
PSD defende utilização de fundos comunitários para pagar indemnizações aos funcionários.
Do “Google Notícias de Portugal” de 24Maio2006
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou, esta quarta-feira, que a resposta do Governo português ao pedido de ajuda de Timor-Leste na sequência dos confrontos que se verificaram no país será a mais rápida possível. ...
Não vou comentar as notícias acima, porque elas já foram sobejamente comentadas, vou, todavia, recolher alguns comentários para ficarem gravados no “HTTrack Website Copier” e de acordo com o objectivo do meu weblog produzir alguns apontamentos para memória futura.
Subsídio de férias dos pensionistas:
Eduardo Prado Coelho, no “Público” de 22Maio2006, diz a certa altura da sua crónica:
“…Mas porquê os pensionistas? Eles já têm em muitos casos pensões de miséria. Eles vivem num equilíbrio terrível, à beira da miséria. Eles compram o mínimo possível. No meu prédio, existem sobretudo pessoas de idade, que vivem modestamente as suas pensões. Existe o hábito de deixarem à porta sacos com o lixo a ser recolhido. Fico sempre espantado com a escassez do lixo que muitos têm. Eles vivem com o mínimo possível, gastam o mínimo possível. Contam com o subsídio de férias para equilibrarem as despesas, pagarem algumas dívidas ou fazerem uma pequena viagem para passarem os dias numa praia, para que um pouco de sol e calor lhes dê um mínimo de conforto no fim da vida…”
Função Pública:
Peso dos funcionários públicos na população activa
(Dados de 2004; fonte EUROSTAT, publicado no Correio da Manhã)
Suécia ………………...………. 33,3%
Dinamarca ………………......30,4%
Bélgica ……………………...... 28,8%
Reino Unido …………....…...27,4%
Finlândia ……………......…...26,4%
Holanda …………….......…… 25,9%
França ……………………....... 24,6%
Alemanha …………….....……24%
Hungria ……………….....….. 22%
Eslováquia ………....………..21,4%
Áustria ……………….....…... 20,9%
Grécia ……………….....……. 20,6%
Irlanda …………….....…….. 20,6%
Polónia …………….....…….. 19,8%
Itália …………………....……. 19,2%
República Checa …....….19,2%
PORTUGAL ……………17,9%
Espanha ……………......…. 17,2%
Luxemburgo …….....……. 16%
Pela informação, vê-se que Portugal é o 3º país da União Europeia com menor percentagem de funcionários públicos na população activa.
Ainda que naqueles números não se encontrem os “boys” e as “girls” que, ao longo dos anos, e já são 32 anos, os diversos partidos políticos nomearam para satisfazer as suas clientelas, não é com a desenvoltura e afirmação de Marques Mendes que se resolve o problema dos recursos humanos do Estado.
A reforma da função pública tem de se fazer, é urgente fazer-se, mas tem de ser estudada e implementada por pessoas especialistas na matéria, portugueses ou estrangeiros, e tem de ser feita com a colaboração dos interessados.
É um assunto demasiado importante para ser decidido e implementado por políticos.
Aqui, a comunicação social, tem de perceber que lhe cabe uma importante função.
Informar com isenção, criticar quem tem de receber críticas, favoráveis ou desfavoráveis, acompanhar as necessidades do país, e sobretudo averiguar, investigar, se Portugal precisa realmente de 17,2% da população activa nos seus quadros administrativos. Provavelmente, Portugal poderá dar trabalho a todos os actuais servidores do estado em detrimento de lhes dar um emprego, uma remuneração ao fim do mês.
Timor-Leste
À beira da guerra civil ou já na guerra civil?
Há dias, teve lugar em Lisboa a festa da independência. Vários oradores, dou todavia especial relevo ao historiador José Mattoso e transcrevo o que o Público relata na sua edição de 22Maio06.
“Num discurso subordinado ao tema “o bem da paz”, José Mattoso sustentou que a rivalidade entre as etnias, em Timor-Leste, foi substituida pela rivalidade entre os partidos políticos em 1975 e, depois de 1999, também pela corrupção levada “pelo dinheiro e pelos projectos das ONG”. A ONU, por seu lado, nada fez para integrar os guerrilheiros na vida civil, nem aproveitou as energias e capacidade de organização da resistência clandestina, por desconhecimento das tradições culturais timorenses e porque “procurava, com arrogância, impor formas de governar ocidentais”, criticou.
Convencido de que “todos os princípios da vida social da cultura timorense correspondem aos princípios fundamentais do Evangelho”, o historiador pediu aos membros da Igreja que façam “um exame de consciência, e reflictam se têm posto os seus recursos, a sua influência e a sua cultura ao serviço do povo”.
Se continuar a prevalecer “ desordem e a desconfiança” –cuja raiz José Mattoso encontra na “ruptura social” provocada por uma “brusca mudança de cultura ou pelo desprezo dos princípios tradicionais”- depressa desaparecerá “o respeito e a admiração” que os timorenses conquistaram, em 1999, em todo o mundo, avisou.
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Caso não ocorra uma transformação das mentalidades, “é a própria sobrevivência de Timor-Leste como nação independente que está em causa”, concluiu.”