outubro 21, 2005

O orçamento já lá vai!

O orçamento já lá vai!
Hoje, aparece-nos a greve da função pública, com cerca de 35.000 manifestantes em Lisboa, e uma enorme satisfação das centrais sindicais.
Dizem que é contra a actuação do governo todavia, no meu ponto de vista, é contra a actuação da sociedade portuguesa, a sociedade civil no seu todo.
Em Abril de 1974, instalou-se o regabofe na administração da coisa pública, autarquias incluidas, exercida por pessoas, sem preparação política, vindas dos mais diversos quadrantes, grande parte delas sem quaisquer referências profissionais.
A admissão na função pública fez-se de todas as maneiras possíveis, excepção para o tradicional concurso de admissão, sem qualquer critério de avaliação. E assim foi sucedendo até aos dias de hoje. Muda o governo, muda o partido, entram mais uns milhares para serviços que nem se sabe onde ficam; claro que tal “desgoverno” traz despesas incomportáveis para o tesouro.
E a sociedade civil vem assistindo alegremente a este desfolhar de acontecimentos sem dar a devida atenção às consequências que, inevitavelmente, teriam de suceder.
No que diz respeito à actividade privada, os sindicatos, defensores dos trabalhadores, também não se preocuparam em prever que o desemprego se iria abater sobre a tal “classe trabalhadora” quer pela incapacidade empresarial quer pela falta de qualificação profissional dos seus associados.
Também aqui, poucos foram os que viram, antecipadamente, o desenrolar dos acontecimentos.
O que se verifica hoje, é que o trabalhador da função pública, com o seu sindicato, grita contra as regalias que lhe são retiradas, no entanto, não fica no desemprego, e o trabalhador do sector privado, com o seu sindicato, grita contra coisa nenhuma, fica no desemprego e recebe durante um tempo um subsídio para não trabalhar.
Onde está a equidade?
O que foi feito para democratizar a sociedade?
E agora, os excluidos. Quem sabe quem são e onde estão? Sabem os Sindicatos, sabem as Juntas de Freguesia? Ou serão, apenas, as Organizações Não Governamentais (ONG) que se preocupam com aqueles seus concidadãos; e os membros das ONG são, invariavelmente, voluntários!
Já foi dito que Portugal tem os pobres mais pobres da União Europeia!
O que foi feito em favor dos excluidos?
Sabemos todos que, com o evoluir das tecnologias, não levará muito tempo a que as matérias primas e a extensão do território percam a importância que trouxeram aos seus países. E sobreviverão, com qualidade de vida, aqueles que tiverem os melhores recursos humanos, independentemente da sua extensão territorial e do número dos seus habitantes.
E o que terá de fazer a sociedade civil, para obter os melhores recursos humanos?

Publicado por Manuel Marques em outubro 21, 2005 01:07 AM