Onde não há instrução, onde não há educação, onde não há disciplina, onde não há projectos, só pode acontecer o que está dito pelo norte-americano Jack Welch na sua visita a Lisboa.
A SIC Online dá conta das palavras proferidas por aquele gestor.
Acabei de ver uma reportagem na RTP1 sobre a escola, a indisciplina dos alunos, a fragilidade dos professores, a violência, a amargura de entrevistados, professores, que não escondem a sua insegurança, falta de protecção, a que têm direito, na sua actividade profissional.
Fiquei surpreendido, estupefacto com o que vi! Tenho ouvido algumas lamentações sobre a actividade escolar mas, longe de mim, pensar em qualquer semelhança com aquilo que acabei de ver.
A minha primeira pergunta vai para o sindicato dos professores; será que o sindicato tem conhecimento da situação vivida nas escolas pelos seus associados? Se tem, que medidas tomou para defender os seus associados? E se não tem, porque é que não tem?
E a sociedade civil, o que fez para denunciar tal calamidade? Ou não sabe, como eu, daquela realidade?
E por fim o Ministério da Educação. Os políticos estão interessados em resolver a questão?
São aqueles, os homens de amanhã?
Foi dito que se tratava de um caso único. Bem, somos parvos mas, não tanto!
Redondo, porque não tem ponta por onde se lhe pegar!
As notícias que, desde há uma semana, têm vindo publicadas, nos meios de comunicação, deixam-nos amargurados.
Do “Expresso” de 20Maio2006:
Pensionistas podem ficar sem o 14º mês
O Secretário de Estado do Orçamento, Emanuel dos Santos, alertou ontem em Coimbra para a possibilidade de os pensionistas deixarem de receber o subsídio de férias para ajudar a equilibrar o Orçamento do Estado. Uma decisão que “não será fácil” mas poderá ser inevitável, disse.
Do “Público” de 22Maio2006:
Marques Mendes desafia governo a fazer rescisões na função pública.
PSD defende utilização de fundos comunitários para pagar indemnizações aos funcionários.
Do “Google Notícias de Portugal” de 24Maio2006
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou, esta quarta-feira, que a resposta do Governo português ao pedido de ajuda de Timor-Leste na sequência dos confrontos que se verificaram no país será a mais rápida possível. ...
Não vou comentar as notícias acima, porque elas já foram sobejamente comentadas, vou, todavia, recolher alguns comentários para ficarem gravados no “HTTrack Website Copier” e de acordo com o objectivo do meu weblog produzir alguns apontamentos para memória futura.
Subsídio de férias dos pensionistas:
Eduardo Prado Coelho, no “Público” de 22Maio2006, diz a certa altura da sua crónica:
“…Mas porquê os pensionistas? Eles já têm em muitos casos pensões de miséria. Eles vivem num equilíbrio terrível, à beira da miséria. Eles compram o mínimo possível. No meu prédio, existem sobretudo pessoas de idade, que vivem modestamente as suas pensões. Existe o hábito de deixarem à porta sacos com o lixo a ser recolhido. Fico sempre espantado com a escassez do lixo que muitos têm. Eles vivem com o mínimo possível, gastam o mínimo possível. Contam com o subsídio de férias para equilibrarem as despesas, pagarem algumas dívidas ou fazerem uma pequena viagem para passarem os dias numa praia, para que um pouco de sol e calor lhes dê um mínimo de conforto no fim da vida…”
Função Pública:
Peso dos funcionários públicos na população activa
(Dados de 2004; fonte EUROSTAT, publicado no Correio da Manhã)
Suécia ………………...………. 33,3%
Dinamarca ………………......30,4%
Bélgica ……………………...... 28,8%
Reino Unido …………....…...27,4%
Finlândia ……………......…...26,4%
Holanda …………….......…… 25,9%
França ……………………....... 24,6%
Alemanha …………….....……24%
Hungria ……………….....….. 22%
Eslováquia ………....………..21,4%
Áustria ……………….....…... 20,9%
Grécia ……………….....……. 20,6%
Irlanda …………….....…….. 20,6%
Polónia …………….....…….. 19,8%
Itália …………………....……. 19,2%
República Checa …....….19,2%
PORTUGAL ……………17,9%
Espanha ……………......…. 17,2%
Luxemburgo …….....……. 16%
Pela informação, vê-se que Portugal é o 3º país da União Europeia com menor percentagem de funcionários públicos na população activa.
Ainda que naqueles números não se encontrem os “boys” e as “girls” que, ao longo dos anos, e já são 32 anos, os diversos partidos políticos nomearam para satisfazer as suas clientelas, não é com a desenvoltura e afirmação de Marques Mendes que se resolve o problema dos recursos humanos do Estado.
A reforma da função pública tem de se fazer, é urgente fazer-se, mas tem de ser estudada e implementada por pessoas especialistas na matéria, portugueses ou estrangeiros, e tem de ser feita com a colaboração dos interessados.
É um assunto demasiado importante para ser decidido e implementado por políticos.
Aqui, a comunicação social, tem de perceber que lhe cabe uma importante função.
Informar com isenção, criticar quem tem de receber críticas, favoráveis ou desfavoráveis, acompanhar as necessidades do país, e sobretudo averiguar, investigar, se Portugal precisa realmente de 17,2% da população activa nos seus quadros administrativos. Provavelmente, Portugal poderá dar trabalho a todos os actuais servidores do estado em detrimento de lhes dar um emprego, uma remuneração ao fim do mês.
Timor-Leste
À beira da guerra civil ou já na guerra civil?
Há dias, teve lugar em Lisboa a festa da independência. Vários oradores, dou todavia especial relevo ao historiador José Mattoso e transcrevo o que o Público relata na sua edição de 22Maio06.
“Num discurso subordinado ao tema “o bem da paz”, José Mattoso sustentou que a rivalidade entre as etnias, em Timor-Leste, foi substituida pela rivalidade entre os partidos políticos em 1975 e, depois de 1999, também pela corrupção levada “pelo dinheiro e pelos projectos das ONG”. A ONU, por seu lado, nada fez para integrar os guerrilheiros na vida civil, nem aproveitou as energias e capacidade de organização da resistência clandestina, por desconhecimento das tradições culturais timorenses e porque “procurava, com arrogância, impor formas de governar ocidentais”, criticou.
Convencido de que “todos os princípios da vida social da cultura timorense correspondem aos princípios fundamentais do Evangelho”, o historiador pediu aos membros da Igreja que façam “um exame de consciência, e reflictam se têm posto os seus recursos, a sua influência e a sua cultura ao serviço do povo”.
Se continuar a prevalecer “ desordem e a desconfiança” –cuja raiz José Mattoso encontra na “ruptura social” provocada por uma “brusca mudança de cultura ou pelo desprezo dos princípios tradicionais”- depressa desaparecerá “o respeito e a admiração” que os timorenses conquistaram, em 1999, em todo o mundo, avisou.
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Caso não ocorra uma transformação das mentalidades, “é a própria sobrevivência de Timor-Leste como nação independente que está em causa”, concluiu.”
A opinião no seu melhor!
Não se fique pelo texto do autor. Leia os comentários.
Contemplemos os jornalistas que temos!!!!
Temos ouvido e temos lido que, de algum tempo a esta parte, têm havido iniciativas de grande vulto para o desenvolvimento de Portugal.
Mas, não ouvi nem li, em qualquer órgão de divulgação, notícias sobre consolidação orçamental e crescimento económico.
ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência.
(Eça de Queiroz, 1867 in “O distrito de Évora”)