Todos criticamos todos. Algumas críticas são construtivas, outras, nem por isso.
Normalmente, os culpados são os outros.
E quem são os outros? Será, em Portugal, que os outros são os adversários políticos?
E foi com muita mágoa que, hoje, ouvi, numa reportagem da tv, o Presidente da Câmara de Lisboa, numa terra lá do norte do país, dizer que está preparado para os combates políticos que estão aí para vir e que não se furtará a qualquer desses combates e que até tem muito gosto em participar neles.
São os políticos portugueses; preparados para o combate, o combate, e depois do combate um copo para confraternizar, porque o espectáculo já terminou; a próxima sessão tem lugar amanhã, às x horas, no local y.
Pergunto. Quando será que os políticos deixam os combates e se disponibilizam para, juntos, resolverem os problemas do país? Não é admissível que o partido A diga sim a uma medida que o partido B disse não, simplesmente porque tem de dizer não quando outro diz sim.
E os portugueses, meros espectadores, batem palmas, sem sequer compreenderem o que se está passando porque, não houve quem explicasse.
E para quê explicações?
Provavelmente, os políticos até entendem que não necessitam de explicar as medidas que tomam, das vantagens e incovenientes que elas trazem para o interesse do país, porque, se calhar, com tanta iliteracia, não vale a pena “gastar cera com defuntos”.
Li no Expresso:
Do Cardeal Belga, Gustav Joos:
"Estou disposto a escrever com o meu próprio sangue que de todos os que se declaram homossexuais ou lésbicas, só 5% ou 10% o são realmente. Todos os outros são pervertidos sexuais"
É a sociedade em que vivemos.
É domingo à tarde. Estou no escritório, dou-me ao luxo de ter em casa uma divisão onde construi um pequeno mundo, onde também está uma tv. E a tv está aberta, com som baixo, e entretanto sou sobressaltado com a leitura de um poema. Oiço, e vejo um monte de pessoas, parece-me que alguns são "intelectuais", destes que agora estão na moda, e falam sobre o defunto Ary dos Santos. Dizem eles que foi poeta da Língua Portuguesa.....
Poupem-me!
Eu não gosto de falar de defuntos que não conheci; por isso não digo nada.
De defuntos, que não conheci, só gosto de grandes vultos, figuras de referência, pessoas que tenham dado alguma coisa importante à humanidade.
A esquina da minha rua é duas vezes mais longe que antes, e acrescentaram-lhe uma subida na qual nunca tinha reparado.
Creio que agora fazem os degraus das escadas mais altos do que noutros tempos.
Já repararam nos pequenos caracteres que os jornais começaram a utilizar?
No outro dia encontrei uma velha conhecida. Tinha envelhecido de tal maneira que não me reconheceu.
Reflecti em tudo isto, esta manhã, quando me arranjava! E constatei, que já não se fazem tão bons espelhos como há sessenta anos.
No meu post de 12 de Outubro de 2003, com o título Indignação, foi, hoje, colocado o comentário que a seguir transcrevo:
«"quer" escreve-se quer! e nao quere! a nao ser k se esteja a referir a um queijo qq p barrar qq coisa, mm assim seria queru se nao m falha a memoria! é tudo ;)
Afixado por: anonima em janeiro 17, 2004 06:43 PM»
Pensei não dar atenção, todavia devemos ser generosos e ensinar aos que precisam.
O termo quer é uma conjunção e usa-se, no mesmo período, repetida em duas orações, com o sentido de ou, por exemplo:
Na escola, é fundamental ensinar português quer chova quer faça sol.
O termo quere, que eu apliquei, diz respeito ao verbo querer - presente do indicativo: eu quero, tu queres, ele quere ....-
A anonima deverá sempre pôr as suas dúvidas, é a melhor maneira de aprender.
O Ensaio, ao sabor da corrente, foi pensado para abordar temas sobre a vida portuguesa contemplando o social, o político, o económico. Também realidades vindas do estrangeiro que pudessem vir a influenciar o nosso quotidiano, poderiam ser tema de comentário.
Ao longo do ano de 2003 nem sempre consegui fidelizar aquele pensamento e também não fui assíduo na pesquisa de assuntos para comentar. Passeei pela blogosfera, visitei muitos sites, demorei horas a ler os posts que julguei mais interessantes, deixei alguns comentários, todavia não realizei o que tinha pensado como projecto.
Mas, a idea não foi abandonada e quero dar-lhe início. Encontrar temas não é difícil, difícil é torná-los assunto de interesse e de debate. Debate que não existe na nossa terra porque, quotidianamente, assistimos somente a conversa de comadres.
E a este propósito, referindo o semanário “Expresso” de 10 de Janeiro de 2004, a páginas 20 do 1º caderno, ali encontro um texto do deputado Manuel Alegre que me merece alguns reparos.
Diz ele:
“Depois de tantos anos de desterro, passadas a euforia da revolução e a tranquilidade da normalização democrática, estou a fazer agora a amarga descoberta do exílio de dentro, a sensação de ser estrangeiro no próprio país ou, pelo menos, a de não me reconhecer num Portugal que parece estar a diluir-se e a transformar-se num bairro periférico de si mesmo, com todos os valores virados do avesso, sob o império do nacional-populismo escrito, falado, radiodifundido e televisionado. Para onde emigraram a alegria, a esperança, a decência, o bom senso e o bom gosto? Parece-me ouvir de novo António Nobre: «Amigos que desgraça nascer em Portugal». Ou Camilo Pessanha: « Eu vi a luz em um país perdido»”.
Digo eu:
Espantoso! Um homem que, regressado do desterro, “assentou praça” em deputado, desempenha o cargo ao longo de 30 anos, vem agora dizer que volta ao exílio cá dentro!
Então o que tem andado a fazer no Parlamento, para além de receber o salário?
É suposto que a um deputado compete lutar para que todos os portugueses sintam orgulho de o ser, e não a ficar admirado do estado a que as coisas chegaram!
Diz ele:
“Porque de facto é preciso dar a volta. Por exemplo: na questão das eleições presidenciais. Diz-se que a direita está em vantagem e, pela primeira vez, tem fortes possibilidades de ganhar. Mas eu lembro-me que Freitas do Amaral obteve 47% na primeira volta e acabou derrotado por um Mário Soares a quem as sondagens iniciais davam apenas 6%. Há gente na esquerda que parece conformada. Há até quem esteja a torcer para que o candidato da direita ao menos seja Cavaco Silva. E também há gente da direita a pretender designar o candidato da esquerda. Não é uma situação salutar. A democracia precisa de confrontos claros. Alguém tem de levantar a bandeira. Alguém tem de preparar-se para dar a volta.”
Digo eu:
Então o problema que aflige o deputado, que o faz sentir novamente desterrado é uma questão de eleições, uma questão de percentagem, uma questão de esquerda e direita, uma questão de debate político.
E os grandes problemas do país? O ensino, a instrução, a saúde para todos, a gestão dos recursos humanos ao serviço do estado? E a justiça?
Diz ele:
“Há um poema de Sophia, «Fragmento de Os Gracos», que é uma grande lição de política. Devia ser obrigatório para alguns socialistas sempre preocupados em não desagradar. Ora vejam:
«Os ricos nunca perdem a jogada / Nunca fazem um erro. Espiam / E esperam os erros dos outros / Administram os erros dos outros / São hábeis e sábios / Têm uma larga experiência do poder / E quando não podem usar a própria força / Usam a fraqueza dos outros / E ganham».
Tem sido um pouco assim desde o 25 de Abril. A direita não resistiu pela força. Administrou as nossas fraquezas. Foi tecendo, como diz Sophia, «uma grande rede de estratagemas / Uma grande armadilha invisível». Creio que foi aqui que chegámos. A dificuldade está nessa «grande armadilha invisível». É um combate difícil. Exige cabeça fria. E capacidade para desta vez sermos nós a administrar os erros deles. Mas exige também a coragem de fazer frente. Há melancolia a mais. Falta um sentimento de revolta. Para dar a volta a isto.”
Digo eu:
Porque só os socialistas deviam conhecer o poema? E os outros?
O deputado mantém as ideas velhas, ideas corporativas, está velho, não foi capaz de acompanhar as ideas novas que devem reger os povos, ideas que promovem projectos de desenvolvimento, ideas que têm de ter a participação de todos. Os tempos que correm não se compadecem com esquerdas e direitas! Esquerdo, direito só a marcar passo!!
Continua a colocar tudo num campo onde se situam os adversários para o combate, a esquerda e a direita e os outros; nas bancadas o “zé” aplaude conforme os seus gostos, há claques, há cliques, há até fogo de artifício, bandas de música e farnel distribuido.
A esquerda e a direita têm de se entender se querem sobreviver e continuar a existir para ambas aperfeiçoarem a democracia, cuidar da gestão do país e acabar com a pobreza.
Penso que não existem dúvidas sobre o poder dos ricos, sobre a sua ambição, sobre a sua capacidade de ganhar. Quando o rico perde poder, quando deixa de ganhar, então já não é rico.
E creio que não há quem esteja pensando acabar com os ricos; essa atitude foi tentada em 1975 e todos nós conhecemos os resultados. Mas, tem de haver quem esteja pensando em controlar os ricos, em os fazer cumprir as leis, em os integrar na sociedade. Sim, porque os ricos têm de ser integrados, não podem viver acima nem ao lado da sociedade.
E, é urgente acabar com os pobres, pobres nos dinheiros, pobres nas letras, pobres no trabalho, pobres no carácter. Sim, porque os pobres têm de ser integrados, não podem viver abaixo nem ao lado da sociedade.
E para isso, a esquerda e a direita, todos os cidadãos, têm de se empenhar, têm de se esforçar, têm de actuar.
Por achar o tema muito interessante e também porque recebi um amável comentário do Senhor Joaquim Amado Lopes, volto ao assunto, recolocando os textos que dão origem a este post.
Publicado por Manuel Marques em agosto 26, 2003 12:54AM
Os blogs e os bloggers
Joaquim Amado Lopes escreve uma carta digital sobre os blogues.
Apresenta uma crítica pertinente, está no seu direito, todavia penso que também tem o dever de escrever a sua opinião para melhorar “algo moderno”.
Lamento que JAL afirme:
- que os "blogues" são especialmente interessantes para os respectivos autores e mais ninguém;
- acredito mesmo que a maior parte das visitas à maior parte dos "blogues" são feitas por quem os escreve;
- não são funcionais como repositório de informação;
Concordo com JAL quando afirma:
- Os deputados poderiam ter decidido a criação de um espaço de verdadeira informação. Um espaço, no site da AR, com informação sobre cada deputado (incluindo o contacto), as suas iniciativas legislativas, intervenções, votos, viagens, etc.
Cumpre-me informar JAL que não conheço outro qualquer espaço onde possa exprimir a minha opinião, não censurada, e com a certeza de que é publicada.
JAL conhece?
Comentário afixado por Joaquim Amado Lopes em janeiro 3, 2004 02:39 AM
Se, para o Manuel, um blogue é um local "onde possa exprimir a minha (sua) opinião, não censurada, e com a certeza de que é publicada", então decerto concordará comigo quando escrevo que "os 'blogues' são especialmente interessantes para os respectivos autores e mais ninguém".
Sendo especialmente vocacionados para a expressão de opiniões pessoais, deve também concordar que "a maior parte das visitas à maior parte dos 'blogues' são feitas por quem os escreve". Acrescento "e familiares e amigos próximos".
Conhecendo a estrutura de um blogue como conhece, o Manuel não poderá deixar de concordar com "não são funcionais como repositório de informação", pois não?
Quanto a melhorar os blogues, bem, tal poderia ser feito adicionando-lhes espaços de informação/arquivo (documentos que sustentem as opiniões expressas). Só que deixariam de ser blogues e passariam a ser... quem diria?, websites.
Já agora, os websites são precisamente os instrumentos que, melhor do que os blogues, lhe permitem "exprimir a sua opinião, não censurada, e com a certeza de que é publicada".
O meu post de hoje
Merece-me atenção o comentário do Joaquim e porque discordo do modo como interpreta o fenómeno blogue, julgo pertinente escrever sobre o que, no meu entender, é hoje, o blogue.
Na verdade não deixa de ser um diário pessoal, onde se deixa a impressão marcante do dia, todavia é um diário público diferente do antigo diário pessoal, algumas vezes encadernado, privado, e guardado a sete chaves.
No blogue exprime-se uma opinião que pode ser partilhada e comentada por outros, em norma diferente das habituais opiniões expressas na imprensa escrita que publica somente aquilo que cabe no seu conceito editorial e que, quando se deseja comentar ou esclarecer tem se invocar o direito de resposta.
Não posso garantir que os blogues sejam lidos somente por quem os escreve, familiares e amigos já que tenho lido referências a blogues em diversos meios de comunicação: julgo sim que, hoje, o blogue tem uma grande divulgação e na nossa esfera há muito "blogueiro" a fazer comentários que não desmerecem, quer pela escrita quer pelo conteúdo, perante os dos comentadores profissionais, que disso fazem o seu ganha-pão.
Não vou entrar em considerações sobre weblog e website. Deixo para os técnicos da internet qual o significado a dar a cada um dos termos.
No entanto, não quero deixar de recordar que o weblog é um instrumento que não visa o lucro e portanto nunca poderá ser semelhante a uma página de uma empresa que tem, necessariamente, um espaço de informação/arquivo.